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segunda-feira, 17 de março de 2014

A ERA DOS FALSOS BONS RAPAZES by Red Moom


Assistia eu no outro dia ao Bayern Munique VS Arsenal da segunda volta da eliminatória da Liga dos Campeões, jogo em que o Arsenal tinha de recuperar de uma derrota de 2-0 sofrida em Londres, quando Roy Keane, um dos comentadores da partida, disse o seguinte quando assistia à entrada das equipas no campo:

Isto já começa mal e não anuncia nada de bom para o Arsenal.” E a que se referia Roy Keane? Ao facto de Ozil entrar em campo em amena cavaqueira com os Alemães que iria defrontar!

E ainda disse o seguinte: “Eu não percebo estes futebol e estes jogadores de hoje, em que toda a gente é amiga de toda a gente, parecem que estão ali a jogar uma partidinha no bairro!” “No meu tempo, naqueles 90 minutos não havia amizades, era mesmo uma guerra, e especialmente nos grandes jogos eu preparava-me fisica e mentalmente toda a semana, porque sabia que tinha de estar a 100% se grande parte do sucesso da minha equipa dependia de eu ser capaz de ganhar os duelos individuais que iria ter com as grandes figuras da equipa adversária.

De facto, o futebol de hoje é diferente, com rivalidades muito menos exacerbadas, pelo menos dentro do campo. Mudou a mentalidade dos intervenientes? Talvez. E eu diria que mudou por duas razões. A primeira é que o que manda é o dinheiro, e os jogadores trocam de clube frequentemente e nunca chegam a sentir uma camisola verdadeiramente. A segunda é a televisão, com 20 cameras no terreno de jogo que apanham todo e qualquer movimento mais suspeito.

A solução é pois cumprir as regras, e respeitar a ética e as boas maneiras. Vivemos na era em que os jogadores tapam a boca quando falam no terreno do jogo, não vá o especialista de ler os lábios adivinhar toda a verrobeia que debitam uns aos outros.

Hoje vivemos pois a era dos (falsos) bons rapazes... 

Mas, Jorge Jesus não é deste tempo. Jorge Jesus é produto de outros futebóis, de uma geração em que apenas dois ou três ainda treinam a alto nível e o resto entrou em vias de extinção. Jorge Jesus ainda é do tempo em que se um jogador se lesiona não se atira a bola para fora para entrar a maca. Jorge Jesus é do tempo em que o lema de “morrer em campo” ainda era uma verdade seguida à risca.

Jorge Jesus é aquilo que é, com as suas virtudes e defeitos. Não está no futebol seguramente para fazer amigos, nem para agradar a A ou B. Quem quer usufruir das suas virtudes, leva também com os defeitos no mesmo pacote! Tem vaidade, arrogância e mau feitio, dirão alguns. Mas também tem o génio que poucos têm, e se calhar, à semelhança de outros treinadores desta praça, como Mourinho ou Brian Clough por exemplo, será difícil explicar o génio sem perceber os defeitos.

Incrível as barbaridades que se escreveram sobre a performance de Jorge Jesus em White Hart Lane, prova provada que o facto de se gostar ou não da pessoa em questão, nos faz pegar no caso por diferentes prismas.

O que vi eu? Vi Jorge Jesus mostrar os 3 dedos ao treinador adversário e virar-se para o seu banco outra vez, até que o inglês veio ter com ele a pedir satisfações. Vi Jorge Jesus falar com Sherwood, nunca o vi alterado, até aparecer o pelotão de fuzilamento com Shéu, Rui Costa e Raul José para tentar apagar um fogo que nem tinha começado.

E que fez Jorge Jesus? Sentiu-se insultado, claro que está, como um menino traquina a quem os pais tentam disciplinar em público, e pediu a todos para se afastarem, que ele era bem capaz de lidar sozinho com a situação. Para mais num jogo de Liga Europa, televisionado para todo o mundo, não ia ser ali que Jorge Jesus ia deixar o mundo assistir à sua autoridade ser posta em causa.

Nem Jorge Jesus, nem Mourinho, nem nenhum outro treinador de renome aceitaria uma coisa daquelas, a não ser que – e isso nunca aconteceu – a discussão entre os dois treinadores já tivesse tomado outros contornos. A verdade é que não aconteceu nada no terreno de jogo que justificasse a entrada em cena de Shéu, Rui Costa e Raul José. E disto ninguém fala porque a campanha passa por passar a ideia de que foi Jorge Jesus quem prevaricou uma vez mais.

Infelizmente pois, receio bem que alguns só lhe vão reconhecer o génio quando sentirem a sua falta. Claro, qual génio dirão alguns? Um título em 4 anos e o blá, blá, blá do costume.

É gente pois que já esqueceu o lugar de onde viemos, de tempos em que acabávamos sempre em terceiro a 20 pontos do primeiro e em que qualquer Halmstad nos punha fora das competições europeias.

Há gente que não percebe que foi com Jorge Jesus que recuperámos (ou estamos em vias de recuperar) o estatuto de melhor equipa do futebol português, estatuto que não cheiramos vai para mais de 30 anos.

Que foi com Jorge Jesus que o bom futebol voltou à Luz e a ilusão de que podemos ganhar em qualquer campo.

Que foi com Jorge Jesus que as vendas milionárias se atropelaram umas às outras e que serviram para atenuar as ainda assim dificílimas finanças do clube.

Mas isso não interessa para nada, claro está, pelo menos para já... Interessará sim daqui a uns tempos, quando um qualquer Marco Silva mostrar que não é de facto a última bolacha do pacote que alguns adivinharam, e o profeta dos mil defeitos já estiver a brilhar em outro lado.

E para aqueles que insistiram em fazer uma tempestade num copo de água, e passar a ideia de que em Inglaterra não se falou de outra coisa durante toda a semana, fica apenas uma certeza: Não sabem do que falam, nem da forma como o futebol é vivido por estes lados.
by Red Moon

4 comentários:

  1. Isto para mim é mais o futebol dos falsos moralistas, ainda ontem se viu!!!!

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  2. caro amigo ,ainda ninguem falou da reaccao so Pietra quando JJ empurrou Raul Jose.Pietra ri com a situacao,para ele é tudo normal,e é assim que os falsos moralistas deviam ver esta situacao.Com isto o mais importante passou ao lado que foi mais um banho que um treinador portugues deu num estranjeiro treinador duma equipa do melhor futebol do mundo.A grande resposta do JJ ao golo do Tottenham com a entrada do Gaitan e do Enzo,nunca mais houve perigo para nos e ainda fizemos o 3°. Saudacoes Benfiquistas

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  3. Totalmente de acordo qt ao JJ que espero se torne no Ferguson do Benfica...

    Discordo de não sermos a melhor equipa do futebol português nos últimos 30 Anos - até à presidência de damásio sempre fomos melhores... depois, com JVA fomos recuperando e desde Trapattoni, pelo menos, temos sido superiores, mas não há comparações possíveis num país em as regras não são iguais para todos como tem acontecido nos últimos 35 Anos...

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