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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

TUDO DITO... O BENFICA NÃO VERGOU

A primeira conclusão a extrair do derby de anteontem, o quinto desde que Jesus se mudou para Alvalade, é simples: o aprendiz, ou «espécie de treinador», que o substituiu no Benfica está a aprender depressa e bem, como a sequência de resultados entre ambos inequivocamente demonstra. No conjunto, o mestre ganhou os primeiros três e perdeu os dois seguintes, confirmação de que o efeito surpresa, que abriu a porta a tudo e mais alguma coisa no sentido de desprimor a uma das partes e elevar a outra a estatuto apenas ao alcance dos deuses, esgotou o prazo de validade.
A minha opinião é conhecida e nada tem a ver com questões pessoais mal resolvidas ou perseguições assanhadas, como o meu vizinho do lado alvitrou (a propósito, Espírito Santo está a mostrar ser capaz de levar o barco a porto seguro). Tão somente entendo que se pretendeu fazer de um bom treinador para consumo interno uma estrela de treino à escala planetária... que em Badajoz já ninguém conhece. Pior foi ele ter-se convencido disso. Neste ponto, porém, presto-lhe homenagem, por saber valer-se de uma realidade virtual e através dela conseguir vender o seu trabalho a preços que no Benfica foram escandalosos e no Sporting são ofensivos, dada a enormidade dos números em mercado que não os suporta e em um país que devia repudiá-los. No entanto, o futebol caracteriza-se por invulgaridades que lhe concedem permissão para extravagâncias que noutras actividades mereciam o repúdio geral.

Na época transacta, igualmente com treze jornadas disputadas, o Sporting liderava, com 35 pontos, e o Benfica era terceiro, com 28. Esta época, é a águia quem está na frente, isolada, e o terceiro passou a ser o leão, com cinco pontos a menos. A cambalhota que isto deu, ou não deu... depende da perspectiva com que se encarou a revolução técnica operada há pouco mais de um ano: houve quem tivesse acreditado que a saída de Jesus significava o prenúncio do colapso no Benfica e, em contraposição, representava a emersão de um período de conquistas no Sporting; houve também quem acreditou que o desfecho seria o inverso do que se previa. Ou seja, uma águia com condições para voar mais alto e um leão sem espaço para se desenvolver. Falo de Luís Filipe Vieira, o qual atempadamente explicou, com a necessária clareza, que a política definida para o crescimento do futebol do clube a que preside não se compatibilizava com a continuidade de Jesus. Não percebeu quem não quis perceber...

Em seis anos de consulado jorgiano só em uma ocasião o Benfica se fixou na Liga dos Campeões, claramente por défice de conhecimento de quem orientava a equipa. Rui Vitória, de outra geração e com uma visão mais ampla, profunda e lúcida do futebol moderno e das exigências que se colocam aos grandes emblemas, vê na Champions uma prioridade, pela riqueza e prestígio que gera. Esteve lá no ano passado, até aos quartos de final, tendo sido afastado pelo Bayern, em eliminatória de relevante nível competitivo e está lá outra vez, cabendo-lhe defrontar o Borussia Dortmund, nos oitavos. Vamos esperar...

Quando os enviados do demónio de preparavam para entrar em cena, esperando pela prometida alteração na liderança do campeonato, registou-se precisamente o contrário. Se existe crise não é na Luz, de certeza. Devido ao resultado do derby, que lhe foi favorável, o Benfica voltou a distanciar-se de quem o persegue, num quadro de extrema adversidade que o tem fragilizado desde o começo da época, dada a sucessão de lesões em jogadores importantes e de prolongada recuperação. De fora mantêm-se ainda Jonas, que valeu 32 golos na última temporada, mais Jardel, à procura de ritmo, André Horta, Grimaldo e Eliseu. Vitória, sem se lamentar, e às vezes até devia, viu-se privado ao mesmo tempo dos três avançados (Jonas-Mitrolgou-Jiménez). Apostou em Guedes, experimentou Pizzi, adaptou Cervi e Rafa. Enfim, fez o que tinha de ser feito. Sem expor carências nem vender bazófias.
O Benfica bateu no fundo e ninguém o vergou. Ter resistido a descomunal vaga de infortúnios é sinal de extraordinária manifestação de força e expressão de grande carácter.

Fernando Guerra, in A Bola

3 comentários:

  1. Foi marcado o primeiro penalty com o apoio do video-árbitro no jogo do Mundial de Clubes entre os japoneses do Kashima Antlers e o Atlético Nacional da Colombia...e já mostrou alguns defeitos. O jogo esteve interrompido cerca de 1 minuto!!! Uma coisa são as paragens no Rugby que se para jogada sim jogada não, outra é estar parado 1 (!!!) minuto num jogo de futebol com a polémica à mistura. Para além de que as próprias imagens deixavam algumas dúvidas. No Mundial de Clubes... pá, tudo bem... agora imaginem isto num clássico do futebol português!!!

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    1. E evidente que o video-arbitro nao vai resolver nada.

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    2. A tecnologia é ainda recente e tem muito que evoluir em vários aspectos, desde a comunicação com o arbitro principal ao julgamentos dos lances, não se pode estar constantemente a parar um jogo para se consultar um monitor.

      Mas creio que é uma tecnologia bem vinda e que põe medo no coração de muitos, porque ao adicionar mais valias electrónicas que permitam um controlo isento do jogo as hipóteses de viciação de resultados com origem no apito torna-se mais difícil.

      O compactuar com aquele tipo de jogo violento e faltoso como o do derbi com o scp enquanto se atribui um cartão à 1a falta que um jogador do SLB faz torna-se mais difícil de justificar

      Mesmo a nível de TV e manipulação da opinião publica com ângulos esquisitos e repetição de alguns lances e omissão de outros

      Como disse é uma tecnologia bem vinda e que deveria merecer sério investimento da FIFA acima das outras já que é o organismo que gere o futebol mundial e tem fundos quasi ilimitados a provar por aquele filme de 1000 milhões que ninguém viu

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