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quarta-feira, 12 de abril de 2017

A VERDADEIRA CARTILHA


Aparentemente, tem provocado grande ruído o facto de o Benfica enviar informação circunstanciada a alguns comentadores, pasme-se, afetos ao clube. Ainda não consegui perceber qual é exatamente o problema com este facto.

A semana passada, quando confrontado com a existência de tal informação, quer no Record, onde escrevo vai para quatro anos, quer na Sport TV+, onde comento desde o início do canal, fui claro na resposta, que recupero: "Cartilha só conheço a Maternal do João de Deus e o facto de um clube enviar informação sistemática é sinal de organização e de profissionalismo". Acrescentei que escrevo aquilo que penso e digo o que me apetece e que, para mim, é muito mais importante para formar a minha opinião as conversas quotidianas que tenho com outros grandes benfiquistas, os meus amigos Bernardo Azevedo, João Tomaz e Manuel Castro.

Este ponto é fundamental porque ajuda a perceber a verdadeira cartilha que rege os benfiquistas. Uma cartilha que firma um clube que não só existe para além de qualquer direção, por natureza transitória no tempo e limitada no seu poder, como recusa qualquer tipo de culto da personalidade do Presidente, quem quer que ele seja. O Benfica de que me habituei a gostar, e que sinto como meu, é mesmo uma agremiação de inclinação popular, pluralista e com adeptos hipercríticos e de pendor pessimista face à performance desportiva. Quando no nosso estádio os cânticos forem a Presidentes ou nas bandeiras se vir a face de dirigentes, é a identidade do Benfica, clube de espírito democrático e nascido nos meios populares de Lisboa, que estará a ser afrontada. Bem sei que isto custa a perceber a todos aqueles que veem os outros à sua imagem e que, por isso, não hesitam em utilizar epítetos como 'avençados'. Tudo o que devo ao Benfica, e não é pouco, é do domínio imaterial: angústias diárias e emoção incontida nas vitórias.

Quem quiser fazer o exercício, que julgo penoso, de recuperar todos os meus textos no Record, concluirá que está perante um olhar não isento sobre o futebol e o Benfica em especial (afinal sou o sócio 8001 do Glorioso), mas também perante uma visão livre. Bem sei que para o lúmpen que pulula em redor do mundo do futebol seja difícil perceber que é possível ter uma filiação clubística inegociável, vibrar com as vitórias da nossa equipa, mas manter espírito crítico sobre a forma como a equipa joga ou até sobre as opções estratégicas que o clube toma. Não há opinião neutra e muito menos comentário higienizado. Os que me leem e ouvem sabem que sou – e, posso garantir, serei sempre –, com orgulho desmedido, benfiquista.

Autor: Pedro Adão e Silva in Record

3 comentários:

  1. Que se fodam as cartilhas! Eu quero é o Tetra! Os lagartixos e os cafés com leite que fiquem com o campeonato das cartilhas!

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  2. Muito bem Pedro, sempre apreciei as tuas crónicas e os teus comentários políticos.
    Aliás, salvo raras excepções, os comentadores benfiquistas que comentam outras áreas para além do futebol são muito mais equilibrados, lógicos e razoáveis.

    Saudações benfiquistas

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    Respostas
    1. Não posso estar mais de acordo!
      Obrigado Prezado Companheiro Pedro Adão e Silva!
      Viva o nosso GLORIOSO!!!
      JC

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